II Seminário Negritude Infinita

Dispositivos e estratégicas imaginativas no Cinema Negro Brasileiro

Em sua segunda edição o Seminário Negritude Infinita traz como tema central Dispositivos e estratégias imaginativas no Cinema Negro Brasileiro, e se constitui como um espaço de reflexão sobre a produção audiovisual de autoria negra no Brasil, compreendendo propostas múltiplas, interdisciplinares e ampliadas sobre a experiência da pessoa negra no cinema. Entendendo o cinema como um território importante nas lutas sociais da população negra no Brasil, utilizado como um instrumento de transformação e de mudanças de paradigmas na sociedade como um todo. O Seminário apresenta vozes múltiplas, de territórios e contextos diversos, para ampliar percepções sobre as questões raciais de forma interseccionada com gênero, sexualidade, classe e território.

O evento será realizado inteiramente de forma virtual através do YouTube, com censura livre e tradução simultânea para LIBRAS. Cada mesa de debates terá uma duração média de 1h30, sendo um total de cinco mesas temáticas com a presença de convidades de diversos estados do Brasil, dentre profissionais do campo da curadoria, crítica, direção, roteiro, som, fotografia, pesquisa, educação e formação. As mesas contarão com mediação de Ana Aline Furtado, artista, curadora, pesquisadora e advogada, Leon Reis, roteirista, diretor e curador, Luly Pinheiro, fotógrafa e realizadora audiovisual, Lilian do Rosário, fotógrafa, pesquisadora e realizadora audiovisual, e Darwin Marinho, artista, designer, realizador audiovisual e curador.

O Seminário é um dos eixos de ação da Negritude Infinita, um grupo formado por cineastas e pesquisadores negros residentes no Ceará, que realizou em 2017 e em 2019 duas edições da Mostra Negritude Infinita, com exibições de filmes realizados por cineastas negros/as, oficinas e debates, e que em 2018 iniciou o Mapa de Difusão do Cinema Negro no Brasil, cartografando as mostras, festivais e cineclubes focados na difusão da produção audiovisual negra em todo o país. O Seminário é, portanto, um mecanismo de debate, ampliação e aprofundamentos das questões aqui apontadas, assim como, um espaço de difusão do conhecimento.

O Seminário da Negritude Infinita cumpre uma importante ferramenta para o público da cidade e do país poder acessar esses debates que, por ora, são tão escassos no circuito local, de Fortaleza. Possibilitando, assim, debates aprofundados sobre os rumos da produção do Cinema Negro atual e criando possibilidades de pensar narrativas em um contexto racializado. A importância desse espaço se revela na garantia da entrada de cineastas negros no mercado do audiovisual, um direito a um grupo racial que historicamente sofre discriminação e é, por isso, privado, na estrutura social do acesso a diversos bens e espaços de visibilidade e de representatividade. Esse contexto de desigualdades e a sua reprodução histórica, fundadas em questões étnico-raciais, passam pelas questões sociais e econômicas e precisam urgentemente serem modificadas. E é como uma contribuição a isso que este projeto se insere.

Programação

Dia 13 de janeiro, 16h30

Enunciados, quebras de expectativas e opacidade no cinema negro  

Convidades: Lorenna Rocha (PE), Kariny Martins (PR) e Bruno Galindo (SP)

Mediação: Leon Reis

O enquadro demarca uma gama de performances que funcionam na cadeia da visibilidade, um show de medidas que se perpetuam na expectativa gerada pela apropriação do mercado econômico ao impulsionar uma compulsão da audiência pela necessidade de um regime de imagens que funcionam dentro de uma lógica reprodutiva de comunicação racial. Mas como nos ver sem ver o corpo, como combater a ideia de representação e pensar formas químicas, digitais e de várias faculdades materiais, físicas e espirituais a falar de nós, onde sentir? Esta mesa é uma tentativa de falar do esforço e da ambição de se ver os espectros, os rastros e as presenças além da necessidade de um corpo enquadrado dentro da lógica econômica da representatividade.

Dia 14 de janeiro, 18h

Para além da disputa narrativa: um espaço infinito

Convidades: Dandara de Morais (PE) e Rayanne Penha (AP)

Mediação: Lílian do Rosário

O cinema – assim como a colonialidade –  definiu quem é visto e quem olha, por onde e para onde olha, o quê e como olha. Nessa complexa disputa de olhar, alteridade e outridade, é possível pensar em outras formas de agir no mundo para além do que se convencionou? Em posições que se colocam não somente como oposição às normas vigentes e as estruturas solidificadas pelo cinema tradicional, e como forma de incorporar práticas que não se colocam em referência – mesmo que opostas – às hegemonias. Essa mesa traz, portanto, percepções outras sobre noções de visibilidade, representatividade e presença de corpos negros no cinema e no audiovisual, compreendendo desde a criação de narrativas até a crítica em perspectiva. 

Dia 14 de janeiro, 20h

Terror Negro, Medo Branco

Convidades: Kênia Freitas (ES), Yuri Costa (RJ) e Paula Soares (CE)

Mediação: Darwin Marinho

Entendendo que o medo do outro é o fundamento do gênero horror, medo esse fundante do cinema, essa mesa pretende discutir como os filmes que lidam com alguma noção do terror, realizados por diretores negros, podem ser uma ferramenta de descolonização. Se os medos e traumas que assombram as personagens das histórias clássicas de terror são todas provenientes de um imaginário branco, os filmes de realizadores negros rearticulam esses medos localizando sua origem colonial dentro da forma desse gênero.

Dia 15 de janeiro, 18h

Jogos ópticos, rupturas do olhar e perspectivas curatoriais 

Convidades: Fabio Rodrigues Filho (BA), Anti Ribeiro (PE) e Tatiana Carvalho Costa (MG)

Mediação: Luly Pinheiro

Compreendendo a curadoria como um espaço estratégico de construção de espaços e de disputa de territórios, essa mesa incorpora a curadoria como prática discursiva, conceitual e pragmática. Para além do que se convencionou denominar como a etapa de seleção de filmes, curadoria é sobretudo uma relação de poder e decisão, que parte necessariamente por perspectivas específicas e delimitadas.

Dia 15 de janeiro, 20h

Cores e Valores: audiovisual negro e mercado

Convidades: Rodrigo Antônio (PA) e Emerson Dindo (BA)

Mediação: Ana Aline Furtado

Será que quando falamos de audiovisual negro estamos falando de produções feitas sem dinheiro? O fato de os realizadores negres precisarem encontrar alternativas para viabilizar seus trabalhos não quer dizer que afirmar esse lugar de precariedade é a única opção. Essa mesa nos convida a discutir estratégias de entrada e permanência no mercado, assim como formas de financiamento para as produções de realizadores negres. Como disse Janelle Monae – Nós viemos em paz, o que significa que viemos fechar negócio (We come in peace, but we mean business).