Livro O CINEMA É NEGRO

O cinema então é negro?

Abdicando dos olhares claros e das perspectivas coloniais, avançamos feito sentinelas na imensidão do Tempo que nós pessoas negras construímos e especulamos para nossas gentes.

Palavra infinita, experiências múltiplas

Não nos interessa, nessa publicação, realizar uma escolha editorial entre textos que se constroem ou com a linguagem formal acadêmica ou com a prosa livre, pois não habitamos um espaço limitado de escrita textual e de produção de conhecimento. Dessa forma, compreendemos que toda tentativa de limitar formatos de escritas de pessoas racializadas é também uma tentativa de controlar a palavra e a fala, e consequentemente, o controle sobre o corpo. E assim, a Negritude Infinita, enquanto uma proposta de promover vida através do audiovisual, cumpre aqui neste presente livro o propósito de apresentar diversas formas de escritas e de produção de conhecimento que giram em torno do chamado Cinema Negro Brasileiro. Nomeamos essa mostra de Negritude Infinita por quê o infinita é antes de tudo um espaço em que as formas de vida heterogêneas coexistem com suas diferentes faculdades sensoriais e respiratórias, em diferentes planetas, em dimensões diversas, por corpos e corpas múltiplas. Essa imagem que chega a uma utopia é um desejo eterno pelo impossível, pois o nosso trabalho nasce dele. Este livro é mais do que qualquer coisa um exercício prático de desmonte de estruturas brancas calcificadas pelo cinema brasileiro, partindo da escuta de palavras escritas por muitas gentes, palavras articuladas em instâncias diversas, compreendendo a importância de cada voz falar por si e para o mundo.

Autorias

Org. Clébson Francisco

Textos: Alex França, Ana Aline Furtado, Castiel Vitorino Brasileiro, Clébson Francisco, DANDDARA, Darwin Marinho, Douglas da Silva, George Ulysses, José Juliano Gadelha, Karina das Oliveiras, Leon Reis, Lilian do Rosário, Luly Pinheiro, Mallu Oliveira, Rodrigo Lopes e Ronald Horácio.