Censo de Profissionais Negres no Audiovisual do Ceará

Você é uma pessoa negra e trabalha com audiovisual no Ceará? Queremos saber mais sobre você!

No ano de 2016 o GEMMA (Grupo de Estudos Multidisciplinares de Ação Afirmativas) publicou uma pesquisa intitulada “A Cara do Cinema Nacional”, apurou que entre os filmes de longa-metragem lançados no circuito comercial mais vistos nos anos de 2002 e 2013: 84% dos diretores desses filmes são homens brancos e 13% são mulheres brancas, sendo somente 2% homens negros, e nenhum filme lançado nesse período foi de uma diretora negra. No campo do roteiro, os dados se repetem, sendo 74% dos roteiristas são homens brancos, 26% mulheres brancas, apenas 4% de homens negros, e novamente, nenhuma roteirista negra. Já no elenco dos filmes, 80% são pessoas brancas. Esse levantamento de dados nos ajudam a entender de forma objetiva a ausência de espaços para os profissionais negros e negras no campo do audiovisual, reflexo direto do racismo estrutural de nossa sociedade, e são também claros indícios da necessidade que existe acerca do debate da pauta racial no Cinema Brasileiro, dentro e fora das telas.

Por outro lado, vimos eclodir nos últimos cinco anos um forte movimento negro de luta por espaços e pela urgência da presença da população negra na cadeia do audiovisual em diversas esferas, seja no campo da representação, como também, no que tange a profissionalização e difusão de obras. Tem-se pautado a visibilidade de pessoas negras em todas as áreas e funções, desde o roteiro, passando por funções técnicas, pela curadoria e pela crítica, até a distribuição, difusão e exibição dessa mesma produção. Esse levante negro tem pautado debates em festivais e mostras, fóruns online, sites, publicações e seminários. Nossos passos vêm de longe, mas precisamos de muito mais.

Nesse sentido, o projeto Censo de Profissionais Negres no Audiovisual do Ceará, busca realizar um mapeamento e levantamento de profissionais negros que trabalham em toda a cadeia do audiovisual cearense, seja no campo da realização, da difusão, formação, pesquisa, curadoria, etc. Este projeto é parte de uma das ações da Negritude Infinita, um grupo formado por cineastas e pesquisadores negros residentes no Ceará, que realizou em 2017 e em 2019 duas edições da Mostra Negritude Infinita, com exibições de filmes realizados por cineastas negros/as, oficinas e debates, e que em 2018 iniciou o Mapa de Difusão do Cinema Negro no Brasil, cartografando as mostras, festivais e cineclubes focados na difusão da produção audiovisual negra em todo o país. Agora, nessa nova etapa, pretendemos focar na construção, pesquisa e inventário dos cineastas e profissionais negros do audiovisual cearense.

Assim, esse projeto de pesquisa busca evidenciar, também, a necessidade de concretização de políticas públicas que fomentem e ampliem os acessos a mecanismos de distribuição de recursos que levem em conta aspectos raciais e de gênero, compreendendo de forma interseccionada as políticas afirmativas e identitárias no contexto cearense. A importância desse processo se revela na garantia da entrada de profissionais negros no mercado do audiovisual, um direito a um grupo racial e social que historicamente sofre discriminação e é, por isso, privado, na estrutura social do acesso a diversos bens e espaços públicos.

Esse contexto de desigualdades e a sua reprodução histórica, fundadas em questões étnico-raciais, vão além das questões sociais e econômicas e precisam ser modificadas. Realizar um censo que apresenta dados concretos sobre profissionais negros no campo do audiovisual do Ceará é um importante caminho de uma permanente luta antirracista e se faz necessário para contribuir com as discussões raciais dentro do campo da cultura e das políticas públicas voltadas para o audiovisual. E é isso que se pretende com este projeto de pesquisa.

Quem pode participar?

Pessoas negras que trabalham em qualquer setor, área e função dentro do campo do Audiovisual, e que sejam:

  • Nascidos no Ceará, mesmo que não residentes; ou
  • Nascidos e residentes no Ceará; ou
  • Nascidos em outros Estados, mas residentes no Ceará a pelo menos 2 anos.