III Seminário Negritude Infinita

Cinema Negro: processos educativos e práticas cineclubistas

Em sua terceira edição o Seminário Negritude Infinita traz como tema central “Cinema negro: processos educativos e práticas cineclubistas”. O evento se constitui como um espaço de reflexão sobre a difusão da produção audiovisual brasileira a partir de um contexto racializado, compreendendo propostas educativas e pedagógicas de transformação epistêmica através do cinema e de práticas cineclubistas. Entendendo o cinema como um território importante nas lutas sociais da população negra no Brasil, utilizado como um instrumento de transformação e de mudanças de paradigmas na sociedade como um todo. O Seminário apresenta vozes múltiplas, de territórios e contextos diversos, para ampliar percepções sobre as questões raciais de forma interseccionada com gênero, sexualidade, classe e território, e tendo a educação e o cinema como centrais dessas relações.

O evento está com inscrições abertas e será realizado inteiramente de forma virtual e gratuita, com censura livre e tradução simultânea para LIBRAS. Cada mesa de debate terá uma duração média de 1h30, sendo um total de 5 (cinco) mesas temáticas que contam com os saberes, experiências e trocas entre pessoas de vários estados do Brasil, dentre profissionais do campo da curadoria, crítica, pesquisa, educação, formação, distribuição e difusão audiovisual. Essa edição do Seminário conta com a curadoria da Profª Dra. Izabel de Fátima Cruz Melo, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Às pessoas que participarem de pelo menos 75% das mesas é garantida a certificação. Para se inscrever basta clicar aqui.

O Seminário é um dos eixos de ação da Negritude Infinita, uma plataforma de pesquisa e difusão formado por cineastas e pesquisadores negros residentes no Ceará, que realizou entre 2017 e 2021 três edições da Mostra Negritude Infinita, com exibições de filmes realizados por cineastas negros/as, oficinas e debates, e que em 2018 iniciou o Mapa de Difusão do Cinema Negro no Brasil, cartografando as mostras, festivais e cineclubes focados na difusão da produção audiovisual negra em todo o país. O evento é, portanto, um mecanismo de debate, ampliação e aprofundamentos das questões aqui apontadas, assim como, um espaço de difusão do conhecimento e de criação de redes de contatos.

O Seminário da Negritude Infinita cumpre uma importante ferramenta para o público da cidade e do país poder acessar esses debates que, por ora, são tão escassos no circuito local, de Fortaleza. Possibilitando, assim, debates aprofundados sobre os rumos da produção do Cinema Negro atual e criando possibilidades de pensar narrativas em um contexto racializado. A importância desse espaço se revela na garantia da entrada de cineastas negros no mercado do audiovisual, um direito a um grupo racial que historicamente sofre discriminação e é, por isso, privado, na estrutura social do acesso a diversos bens e espaços de visibilidade e de representatividade. Esse contexto de desigualdades e a sua reprodução histórica, fundadas em questões étnico-raciais, passam pelas questões sociais e econômicas e precisam urgentemente serem modificadas. E é como uma contribuição a isso que este projeto se insere.

Programação

Dia 31 de janeiro, 19h

Práticas cineclubistas e estratégias de difusão da produção contemporânea  

Convidades: Gabriel Araújo (Cineclube Mocambo – MG), Janderson Felipe (Cineclube Mirante – AL)

Mediação: Déo Cardoso (CE)

A partir da experiência dos cineclubes convidados, a mesa pretende tratar da importância dos cineclubes na difusão dos cinemas negros contemporâneos, potencializando a circulação de novas imagens e perspectivas, a partir das questões e escolhas que organizam as suas curadorias e programação.

Dia 1 de fevereiro, 19h

Rede de cineclubes, mostras e festivais de cinema negro no Brasil

Convidades: Rafael Ferreira (Festival  Zélia Amador de Deus – PA), Daiane Rosário (Mostra Itinerante de Cinemas Negros Mahomed Bamba – BA), Manu Zalvati (Mostra de Cinema Negro de Pelotas – RS)

Mediação: Profª Ms. Luciana Oliveira ( Mostra Egbé – UFS – Sergipe)

Compreendendo a importância dos cineclubes, mostras e festivais como espaços formativos, o objetivo desta mesa é evidenciar as relações e diálogos que acabam por constituir uma ambiência receptiva que permite a circulação de filmes, realizadores, organizadores e público interessado em cinemas negros. 

Dia 2 de fevereiro, 19h

O cinema na educação e a educação no cinema

Convidades: Profª Ms. Daiane Silva (DIMAS – BA), Profª Dra. Daniela Siqueira (UFMS – MS)

Mediação: Profª Ms. Bárbara Cazé (UERJ – RJ)

Considerando o cinema e a educação como práticas sócio-culturais que são constituídas de modo coletivo, e não necessariamente escolar ou institucional, esta mesa se dedica a refletir as aproximações, tensionamentos e relações possíveis entre os dois campos.

Dia 3 de fevereiro, 19h

Histórias e memórias do cineclubismo no Brasil

Convidades: Prof. Dr. João Félix (UFT -TO), Clementino Jr (CAN – RJ)

Mediação: Profª Dra.Izabel de Fátima Cruz Melo (UNEB – BA)

Qual o lugar do cineclubismo e dos cineclubistas negros na história do cinema brasileiro? A partir desta indagação, a mesa pretende refletir a respeito das trajetórias destas pessoas, sua permanência, atuação  e contribuição  ao campo cinematográfico brasileiro.

Dia 4 de fevereiro, 19h

Políticas públicas, educação e cinema: práticas interdisciplinares

Convidades: Ângelo Fábio (Mostra Periférica – PE), Inajara Diz (Cinemateca da Bahia – BA)

Mediação: Profª Dra. Renata Melo (UNB – DF)

Para compreender de forma mais ampla as tensões e movimentações do campo cinematográfico brasileiro, sobretudo no que diz respeito aos cinemas negros, consideramos fundamental que haja uma abordagem interdisciplinar, que no nosso caso reúne a educação, o cinema e as políticas públicas como mote para o diálogo e reflexão.